O Estado de Terror

25/03/2016 10:33

Por Ana Paula Romão (Educadora)

Por Renato Uchôa (Educador)

Ninguém pode negar. A OAB saiu da toca. Nem a saudosa senadora Vassoura montada em seu cavalo nas ruas de João Pessoa. Independência ou morte, dizia para todo o mundo ouvir. Escute com atenção. A Ordem dos Advogados do Brasil deu uma banana para a defesa do processo democrático. Jogou a casca para você. Uma guinada golpista de 360º graus. Um salto mortal no abismo. O Estado de Direito trocado pela preocupação maior da entidade, ao que parece, na essência, manter a arrecadação das taxas para o exame da Ordem. Outras mordomias no pacote. Ao invés da defesa do processo legal, a OAB se transformou em um sindicato pelego, daqueles que sobrevivem do imposto sindical. Arrota aqui, acolá contra a quebra da legalidade constitucional... As alegações, ao som de cantigas de ninar, para se misturar àqueles, que faz década, no planejamento para pintar o Palácio do Planalto. Com as cores dos EUA, ou da lama da mineradora Samarco. É de arrepiar. Os estudantes dos cursos de direito atônitos com as pulitricas. A USP, diversas universidades do Brasil, têm se posicionado em defesa da legalidade, em contraposição a aventura golpista, dirigida pelos togados. A conjuntura golpista tem alijado, defenestrado, humilhado nos Tribunais de Exceção, todos os advogados legalmente constituídos na defesa dos clientes suspeitos, levados debaixo da vara. Coercitivamente, o que se tornou moda no Reinado do juiz Moro da República Corrupta do Paraná. Condenados, presos antes de quaisquer acusações formais. O grampo adorna a cela, a tortura psicológica é o lanche servido lá. A OAB, não é por cegueira, impossível até para quem não é operador do direito, não perceber que as alegações para engrossar a tese do impeachment: pedaladas fiscais, obstrução de justiça... Vão causar uma nódoa na história de luta contra todas as formas de autoritarismo, que tem caracterizado a postura da Ordem. Na verdade, são desculpas esfarrapadas, na falta de dignidade e coragem de enfrentar à luz do direito a tropa golpista, dos conspiradores contra a democracia. A OAB na defesa do Impeachment, sem bases legais, acompanha a procissão mais vergonhosa da escória branca e perfumada da história do Brasil. A OAB passa um cheque em branco a um comprovado gatuno de verbas públicas, defensor de todas as formas de preconceito contra as minorias. Eduardo Cunha é inimigo do país, que preside a Câmara dos Deputados na prática de diversos crimes. E coordena vários deputados meliantes na Comissão do Impeachment, para afastar uma presidenta Dilma. Eleita democraticamente, e que não pairam dúvidas sobre a sua conduta ilibada.  A OAB entrega a senha da conta ao juiz Moro, que violou a Constituição em 178 conduções coercitivas, em um espetáculo televisivo, combinado com a mídia. Portanto, no quesito, cometeu 178 atentados à Constituição e ao Código Penal, sem prévia intimação ou resistência. A OAB capitula, pratica haraquiri, não como um ato de protesto, de honra e coragem do guerreiro samurai. É um suicídio ao som da integração às forças golpistas, na destruição da democracia brasileira. Talvez, por medo do crime de grampo, rende-se a um espião. O Juiz Moro grampeou o Brasil de ponta a ponta, inclusive advogados, que já se manifestam contra o crime. Mais de 500 advogados, hoje na UFPE, em Recife, contra a posição acovardada do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. O juiz Moro grampeou ilegalmente a presidente Dilma, um crime de espionagem, capitulado na Lei de Segurança Nacional. A OAB presta um desserviço à outra ordem. A democrática, a duras penas conseguida. Resistir é preciso.

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