O golpe está nu!

31/08/2016 07:55

Por Albetisa Moreira, professora

Após meses de agonia, a farsa do impeachment está desmascarada. Apesar desta constatação, isto não modifica as minhas previsões sobre o resultado, pois ali no Senado, aquele covil, a questão não é de consciência, não é se há crime ou não. A questão é derrubar um governo que, apesar dos erros, representava uma película de defesa contra a implementação irrestrita do neoliberalismo, das determinações do mercado e principalmente para atender os interesses imperialistas, de subtração das riquezas, e desnacionalização da economia.

Para estes objetivos serem atingidos é preciso também arrancar as conquistas sociais da população, eliminar sistemas públicos de previdência, educação e saúde. Como dizem Temer e Moreira Franco, privatizem tudo o que de, creches, hospitais, presídios.

Este período tem sido de intenso debates, no seio da esquerda, e por uma ofensiva violenta da extrema direita, setores que pareciam adormecidos, mas que renasceram das catacumbas, exigindo morte ao PT e seus puxadinhos, isto é destruição da esquerda, pois aniquilar as conquistas do povo é preciso destruir suas organizações, e passando por cima do PT o caminho fica mais fácil de trilhar.

A esquerda, a grande maioria perdida, não compreendeu a gravidade deste momento, muitos cruzaram os braços e talvez involuntariamente fizeram coro com a direita, como o PSTU, setores do PSOL e PCB, que em vários documentos, resoluções diziam que não havia golpe no Brasil, outros apregoavam que o povo ia derrubar todos, mas só conseguiram funcionar como coadjuvantes da FIESP para derrubar Dilma.

Esta esquerda se revelou golpista, e que não serve à classe operária, pois à medida que se omitiram e não tentou organizar e conscientizar a população sobre o golpista, vestiu a fantasia de golpista, pois age igual à direita, que não quer Dilma e não reconhece sua eleição, por questões políticas, o mesmo faz a s organizações de esquerda deixar o PT e Dilma se lascar, porque não concordo e não elege o governo, nem que seja golpe, mas o PT que se ferre.Quem mandou se aliar à direita blá blá ,blá.

Outro equivoco é não mostrar ao povo o caminho correto, que seria defender os 54 milhões de votos e a volta da presidenta. Preferiram fazer uma confusão na cabeça da população, falando em eleições gerais, plebiscito, que o PC do B, de forma equivocada defendeu. No momento que era preciso ter povo na rua se semeou ilusão em novas eleições.

O PT e PC do B cometeram uma série de erros. Pareciam crianças brincando no play groun. Primeiro acreditar que este golpe seria revertido, via a consciência dos parlamentares, embarcaram na eleição do Rodrigo Maia para resolver a crise da direita, na Cãmara Federal. E o pior: sobrepor o calendário da eleição municipal sobre uma luta fundamental: derrotar o golpe. Hoje em diversos municipios e capitais há coligações com golpistas, uma postura que dificulta a separação entre o joio e o trigo, por parte dos trabalhadores.

Uma grande constatação foi a fragilidade das organizações, como a CUT e similares que, com em outros momentos de golpes institucionais e ameaça aos direitos democráticos, mostrou -se uma burocracia inoperante, enquanto a Fiesp jogou milícias nas ruas, o movimento sindical negou fogo mais uma vez, subestimando o papel da classe trabalhadora. Os arremedos de centrais como a Conlutas evidenciaram uma postura de traição de classe, pois claramente apoiaram o golpe,escondidos na palavra de ordem FORA TODOS.

Aqui no Piauí a voz mais firme contra o golpe tem sido o PCO.Uma vergonha que não se tenha construido, neste momento decisivo, atos de resistência ao golpe e aos golpista, nos últimos dias, literalmente jogaram a toalha e vão pagar caro por defender os interesses eleitorais sobrepondo a luta contra o golpe.

Aliás, aqui os golpistas dão tom na administração do governador Wellington dias, que trata a pão de ló Ciro Nogueira e um bando de golpistas,e aplica as políticas golpistas de restrição de direitos,um atraso na luta contra o golpe.

A luta não se encerra com a votação no Senado, é preciso intensificar as lutas nas ruas para combater as políticas golpistas, não dá nenhuma legitimidade às medidas de Temer, do Congresso e do Judiciário. É um estado de guerra permanente, a farsa do golpe foi desmascarada, prova disto é que, apesar da execração pública, a presidente Dilma saí fortalecida desta farsa, instalada no Congresso nacional. Ela mostrou, com sua ida ao picadeiro nacional, que não é recuando e dando espaço àquele bando parlamentar que a luta vai avançar.

É preciso chamar e organizar o povo à construção da greve geral, sem vacilação. E o espaço eleitoral não deve ser para iludir o povo, que a melhoria de vida se restringe a participação nas eleições. Para melhorar a vida o povo tem de lutar, desnudar o golpe e derrotar o golpismo e os ataques aos trabalhadores.

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