PhD em economia e governadores propõem reduzir aposentadorias e benefícios de servidores públicos. O povo achará ótimo, diz o economista

18/10/2016 10:44

 Imagens: Câmara dos Deputados (Raul Velloso), e Agência Brasil (Michel Temer)

"A previdência do setor público beneficia um grupo pequeno em relação à população. E quando se propuser reduzir benefícios ou aumentar a contribuição dos servidores, acha que a população não vai achar ótimo? É um sistema privilegiado" 

Da Redação | Raul Velloso é um dos mais destacados economistas de linha liberal do país. PhD em economia pela Yale University (EUA), já atuou no Ministério do Planejamento, BNDES e foi professor da UERJ. Atualmente é consultor econômico e colunista dos jornais O Estado de São Paulo e O Globo.

Em entrevista ontem (17) à Folha de S. Paulo, Velloso afirmou que, junto com os governadores, apresentou ao presidente Michel Temer uma proposta de reforma da previdência que reduz valores das aposentadorias de servidores públicos da União, estados e municípios e aumenta a idade mínima destes para que possam se aposentar. Na opinião do renomado economista, os trabalhadores privados achariam ótimo, pois são a maioria da população.

Neste sentido, diz na entrevista: "A previdência do setor público beneficia um grupo pequeno em relação à população. E quando se propuser reduzir benefícios ou aumentar a contribuição dos servidores, acha que a população não vai achar ótimo? É um sistema privilegiado. A resistência será maior ao mexer nas aposentadorias de valor mais baixo". Na verdade, para o PhD Velloso, os servidores públicos não fazem parte da população.

Velloso afirma também que reduzir aposentadorias dos servidores e elevar idade mínima para quem for se aposentar é necessário porque a PEC 241, que corta gastos públicos, é limitada, pois "disciplina pouco os componentes do gasto total do governo". Por isso, o mais correto seria primeiro atacar os direitos do funcionalismo e depois aprovar essa PEC, opina.

E diz mais o renomado PhD: "Como a população está envelhecendo, vai crescer o número de idosos e, portanto, o número de beneficiários". Por conta disso, sugere que é preciso  mudar a regra de correção dos benefícios da previdência, para ser menor do que a inflação, ou fazer reformas que inibam as aposentadorias. Na prática, Raul Velloso propõe a morte dos trabalhadores, em particular do funcionalismo público.

Segundo um aliado do governo no Senado, Michel Temer e sua equipe econômica "estudam com bastante carinho" as ideias do economista. "Precisamos avançar cada vez mais nesse tipo de projeto para o nosso país", declarou o governista.

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