Povo deve escolher entre mais aperto ou mais impostos, diz ministro da Fazenda

25/07/2016 06:00

Meirelles destaca que se não forem feito cortes, por exemplo, na saúde, educação e salário mínimo, o país vai continuar "quebrado" e será preciso criar mais impostos. Mas não fala, contudo, no escandaloso pagamento de juros da dívida pública a agiotas nacionais e estrangeiros, nem tampouco nas estratosféricas mordomias do alto escalão do executivo, judiciario e legislativo do país

Por Fernando Burlamaque, Brasília | O ministro da Fazenda Henrique Meirelles declarou hoje (25.07) à Folha de S. Paulo que os brasileiros devem escolher entre mais aperto ou novos impostos. Para ele, não há um terceiro caminho. Ou seja, na prática o governo golpista propõe que o povo escolha a forma 'menos dolorosa' de ser jogado num abismo.

O que seria o "mais aperto"

O ministro explica que o Congresso deve aprovar o projeto já enviado à Câmara que limita os gastos públicos ao índice da inflação oficial do ano anterior. Isto significa menos recursos, por exemplo, para Saúde e Educação, o que levará a União, estados e municípios a abortarem novos investimentos nessas áreas. E, o que é pior, cortar programas já em andamento nesses setores.

Para que se tenha uma pequena ideia do que isso representa, segundo o professor-doutor João Sicsú, do Instituto de Economia da UFRJ, caso essa regra de limitação dos gastos públicos tivesse sido aplicada de 2006 a 2015, a saúde pública teria perdido R$ 178,8 bilhões. E a educação, R$ 321,3 bilhões. Ver quadro abaixo.

O "mais aperto" vem também  na mudança na forma de correção do salário mínimo. Desde os governos Lula, o mínimo vem sendo corrigido pela inflação oficial mais o crescimento do PIB dos dois anos anteriores. Temer e Meirelles querem a correção apenas pela inflação do ano anterior, caso contrário dizem que o "país vai continuar quebrado".

Quanto ao 'mais impostos' que Meirelles ameaça criar, está a reedição da CPMF e elevação de tributos já existentes. Na prática é também menos dinheiro o bolso da trabalhador e da chamada 'classe média'.

Em sua entrevista à Folha, no entanto, o ministro Meirelles não falou em cortar gastos com pagamento de juros da dívida pública junto a agiotas nacionais e estrangeiros (que consomem quase 50% do orçamento da União), nem tampouco em frear as estrastoféricas mordomias com o alto escalão do executivo, judiciário e legislaivo do país. É o golpe de Estado a todo valor. Cadê os coxinhas e paneleiros?

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