Professora diz que chega ao fim do ano letivo quase à beira de um ataque de nervos. Clique e dê também sua opinião

05/12/2016 07:29

 Foto ilustrativa: kornienkoalex/depositphotos/direitos autorais reservados

Da Redação | O ano letivo ainda não acabou para a professora Carmelita M Soares, de Belo Horizonte. Ela diz que ainda tem provas para elaborar e corrigir, fichas para preencher e outras pendências acumuladas durante o semestre. Mas informa que já está literalmente à beira de um ataque de nervos. "Não vejo a hora de entregar tudo, ir embora e não voltar nunca mais à sala de aula", desabafa.

O drama de Carmelita é o drama de milhões de professores em todo o país, em particular nas redes estaduais e municipais da educação básica. Especialistas e profissionais da área apontam as quatro maiores causas que fazem da vida de um professor um inferno. E também saídas. 

Leia:

  1. Super jornadas em sala de aula - Devido aos baixos salários, professores em geral se veem obrigados a trabalhar dois e até três turnos diários para melhorarem suas rendas. "Isto esgota física e psicologicamente os educadores", diz o Dr. Sérgio N Vilarinho, médico clínico geral.
  2. Salas super lotadas - Muitos professores enfrentam turmas de até 60 ou 70 alunos cada. "Fica difícil controlar e acompanhar os meninos, e o trabalho se torna uma verdadeira penitência", afirma a professora Enedina Almeida, há quase 20 anos na sala de aula.
  3. Indisciplina dos alunos - Diariamente se registra em todo o país casos de agressões a professores nas escolas. Muitos são xingados e até agredidos fisicamente. "É um inferno", declara o professor Célio Matos, na rede pública há 23 anos.
  4. Baixos salários - Professores estão entre os profissionais que ganham menos no país, se comparadas suas remunerações às de outros trabalhadores de mesma formação escolar. Nem o baixo piso nacional do magistério prefeitos e governadores querem pagar. Isto obriga os docentes a enfrentarem as super jornadas de trabalho e baixa a auto estima dos mesmos. "Já perdi até um casamento por ganhar tão pouco e fiquei arrasado", confidencia o professor cearense Caio Fonseca.
Para o economista Flávio N Assunção, especialista em políticas educacionais, não há saída razoável para os educadores se não houver uma profunda mudança nos gastos com a educação pública do país. Assunção diz que é preciso elevar imediatamente pelo menos para 10% do PIB nacional os investimentos no setor. "Infelizmente, a PEC 241-55, do governo Temer, manda é cortar gastos com as escolas públicas. Desse jeito os professores tendem a ficar ainda mais no sacrifício", adverte.
 
As organizações sindicais do magistério, por sua vez, apontam que uma das saídas dos educadores é a mobilização. Neste sentido, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação - CNTE - deve organizar em todo o país uma forte greve no setor em 2017, tanto para defender o piso nacional dos professores, como para cobrar dos governos todas as demandas das escolas públicas e de todos os seus profissionais.

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